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Mosteiro de Ibiraçu projeta Escola de Bambu

Por Regional ES

10/07/2024 às 06:24:49 - Atualizado há
Foto: Divulgação

O Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu, contou com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES) para a elaboração de um estudo de viabilidade de uma Escola de Bambu no espaço. O objetivo é criar um local de capacitação profissional e geração de renda, voltado para jovens e moradores das comunidades do entorno do mosteiro, para que eles aprendam a utilizar o bambu na bioconstrução e na produção de utilitários, artesanatos, móveis e itens de arte contemporânea, por exemplo. A iniciativa também vai beneficiar profissionais de arquitetura, que poderão se especializar em construção sustentável.

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"O estudo foi elaborado pelo Sebrae/ES, por meio de duas consultorias, que abordaram a viabilidade econômica e a elaboração de produtos a serem vendidos na escola", explica a analista Geisa Moreira, da equipe responsável pelo estudo.

O projeto foi analisado com muito cuidado, tendo em vista que há poucas referências de escolas que oferecem esse tipo da capacitação no Brasil. O grande nome da propagação do bambu como elemento essencial na construção é o arquiteto colombiano Simón Veléz, e a estrutura da escola será inspirada no trabalho do profissional.

Prédio da escola terá inspiração em obras do arquiteto colombiano Simón Vélez, especialista em construções com bambu

"Estamos atuando nesse estudo desde o ano passado. Tivemos o apoio de um especialista em artesanato, que cuidou de toda a programação de cursos, carga horária, conteúdo explorado, além de um especialista em finanças que montou a planilha com os custos de um projeto dessa magnitude. Um trabalho difícil que está entregue, valeu a pena o esforço", conta Geisa.

O Sebrae/ES também foi um dos principais responsáveis pela viabilidade da Escola de Cerâmica, que está em funcionamento há alguns anos na Praça Torii. "Com esse apoio, construímos o cronograma didático e o plano de trabalho. Agora, com a Escola de Bambu, solicitamos o mesmo serviço para desenhar o projeto e entendermos como será a iniciativa, inclusive do ponto de vista financeiro. E o Sebrae vai entrar como parceiro na parte da capacitação profissional desses jovens, que vão aprender um novo ofício", detalha o vice-abade do Mosteiro Zen Budista, Kendo Bitti.

O próximo passo é a construção do prédio sede da escola, na praça Torii, atrás do Grande Buda. "A expectativa é que em 2025 já tenhamos essa estrutura pronta, utilizando o Bambu Gigante e demonstrando a sua alta resistência mecânica e longa durabilidade. A ideia é que todo o processo de construção da escola já seja o primeiro curso de capacitação dos alunos, para que eles aprendam a manusear a matéria-prima e compreendam a sua utilização na construção biossustentável. No momento, temos fomentado o uso do Bambu Gigante através de ações que visam à conscientização dos agricultores e da comunidade".

Segundo ele, o acesso à madeira está cada vez mais custoso, enquanto o bambu, como uma opção sustentável, pode se tornar uma alternativa. "Uma comitiva de Ibiraçu visitou a Universidade de Quindío, na Colômbia, há alguns anos, que é referência no ensino de construções usando bambu. Retornando da viagem, o grupo distribuiu cerca de 3 mil mudas de bambu a agricultores e iniciou-se o cultivo da matéria-prima na região".


A Escola de Bambu, assim como a Escola de Cerâmica que já existe no mosteiro, vai funcionar em um sistema cooperativista. Uma parte do que for produzido vai para a manutenção do projeto e, o restante, será renda para os alunos. Além da bioconstrução, com o uso do bambu no lugar da madeira e concreto, os alunos vão aprender sobre movelaria, utilitários, itens de decoração e, por fim, com culinária, usando o broto de bambu de forma semelhante ao palmito.

Em um segundo momento, a escola pode ser aberta a pessoas interessadas em oficinas e workshops pagos, que vão ajudar na manutenção da iniciativa. Esse formato já está começando a ser explorado na Escola de Cerâmica.


Fonte: Conexão Safra
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