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ES chega a 79 casos de Oropouche; Colatina lidera

Por Regional ES

16/05/2024 às 08:26:10 - Atualizado h√°
Foto: divulgação

O número de casos da Febre do Oropouche subiu para 79 no Espírito Santo, informa a Secretaria da Saúde (Sesa). Colatina lidera (29), seguida por Rio Bananal (21). Não h√° óbitos.

Os casos são referentes ao período entre 23 de abril e 15 de maio. Também tem registros de casos Laranja da Terra (7), São Gabriel da Palha (6), Vitória (4), Sooretama (3), Vila Valério (2), Ibiraçu (2), Anchieta, Ibatiba, Linhares, Pancas e Serra (1 cada).

THOMAZINE

A Febre do Oropouche é uma doença causada por um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes) do g√™nero Orthobunyavirus, da família Peribunyaviridae.

O Orthobunyavirus oropoucheense (OROV) foi isolado pela primeira vez no Brasil em 1960, a partir de amostra de sangue de um bicho preguiça (Bradypus tridactylus) capturada durante a construção da rodovia Belém-Brasília. Desde então, casos isolados e surtos foram relatados no Brasil, principalmente nos estados da região Amazônica.

CRICARE

O vetor da febre do Oropouche é um inseto bem pequeno, de um a tr√™s milímetros, popularmente conhecido como "maruim" ou "mosquito pólvora". Sua coloração varia de cinza a castanho escuro e possui asas curtas e largas. Est√° geralmente associado a regiões com maior umidade e presença de matéria orgânica.

Entre as características do OROV, destaca-se seu elevado potencial de transmissão e disseminação, com capacidade de causar surtos e epidemias em √°reas urbanas. Não h√° vacina e tratamento específico disponíveis.

Como ocorre a transmissão

H√° dois ciclos de transmissão descritos: silvestre e urbano. No ciclo silvestre, bichos preguiça e primatas não-humanos (e possivelmente aves silvestres e roedores) atuam como hospedeiros. H√° registros de isolamento do OROV em algumas espécies de mosquitos, como Coquillettidia venezuelensis e Aedes serratus.


No entanto, o suposto vetor prim√°rio é o Culicoides paraensis (Diptera: Ceratopogonidae), conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. No ciclo urbano, o homem é o hospedeiro principal, e o vetor prim√°rio também é o C. paraensis. Eventualmente, o mosquito Culex quinquefasciatus pode transmitir o vírus em ambientes urbanos.

Até o momento não h√° evid√™ncia de transmissão direta de pessoa a pessoa. Após a infecção, o vírus permanece no sangue dos indivíduos infectados por 2-5 dias após o início dos primeiros sintomas. O período de incubação intrínseca do vírus (em humanos) pode variar entre 3 e 8 dias após a infecção pela picada do vetor.

Sintomas

As manifestações clínicas da infecção por OROV são parecidas com o quadro clínico de outras arboviroses, como dengue, chikungunya e febre amarela, embora os aspectos ecoepidemiológicos dessas arboviroses sejam distintos.

Os casos agudos de OROV evoluem com febre de início súbito, cefaleia (dor de cabeça), mialgia (dor muscular) e artralgia (dor articular). Outros sintomas como tontura, dor retro-ocular, calafrios, fotofobia, n√°useas e vômitos também são relatados.

Casos com acometimento do sistema nervoso central (por exemplo, meningite asséptica e meningoencefalite), especialmente em pacientes imunocomprometidos, e com manifestações hemorr√°gicas (petéquias, epistaxe, gengivorragia) podem ocorrer.

Parte dos pacientes pode apresentar recidiva, com manifestação dos mesmos sintomas ou apenas febre, cefaleia e mialgia após 1 a 2 semanas a partir das manifestações iniciais. Os sintomas duram de 2 a 7 dias, com evolução benigna e sem sequelas, mesmo nos casos mais graves. Não h√° relatos de óbitos associados à infecção pelo OROV.

As picadas do vetor costumam causar bastante incômodo e reações alérgicas. Não existe tratamento específico para a doença. Os pacientes devem permanecer em repouso, com tratamento sintom√°tico e acompanhamento médico.

Como prevenir

O habitat em que o vetor se desenvolve varia de espécie para espécie. De modo geral, tr√™s elementos são necess√°rios: umidade, sombra e matéria orgânica.

Dessa forma, as medidas para a prevenção da febre de Oropouche envolvem o manejo mecânico do ambiente e medidas de proteção individual. No manejo mecânico é necess√°rio manter √°rvores e arbustos podados, de forma a aumentar a insolação no solo, retirar o excesso de matéria orgânica (folhas, frutos e etc.); manter terrenos baldios livre de matos, dependendo da situação, e o plantio de grama pode ajudar a manter a população de maruins sob controle; e manter os abrigos de animais (aves, suínos, bovinos e outros) sempre limpos.

Com relação às medidas de proteção individual, o uso de repelentes e roupas compridas pode ajudar a diminuir as picadas. J√° o uso de telas em portas e janelas, como barreiras físicas, recomendados em alguns casos, não surtem muito efeito devido à necessidade dessas telas terem uma gramatura muito pequena, e esse fato acaba por reduzir a circulação de ar dentro dos imóveis.

Fonte: Es Hoje
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